fbpx

A Dieta Hiperproteica está na moda, mas será que vale a pena?

Uma dieta hiperproteica é aquela que como o nome indica, privilegia um maior consumo de proteínas. Nestas dietas, é dada a prioridade às carnes e lacticínios sendo excluídos da ementa praticamente na totalidade as massas, arroz, pães, doces e a maioria das frutas.

É um facto que este tipo de dieta emagrece. Ajuda a perder bastante peso no início de uma dieta. Mas será que é bom? A que preço estamos disponíveis para perder 6Kg ou mesmo 8Kg num mês?

Quem segue uma dieta hiperproteica deve ser avisado pelo profissional de saúde que o acompanha, dos riscos que daí podem advir. É preciso que todos tenham consciência das consequências que surgem com o passar do tempo.

O consumo de proteínas na alimentação deve contribuir com 10-15% das calorias ingeridas. Quando a ingestão de proteínas ultrapassa as recomendações, a probabilidade dos rins começarem a ser sobrecarregados é muito grande. Começa a haver um aumento da taxa de filtração glomerular (filtração dos rins). O peso e o volume dos rins aumentam e há aumento da predisposição para a formação de cálculos renais (pedras nos rins).

Este tipo de dietas restringe as pessoas de consumirem determinados tipos de alimentos, como o caso da sopa e da fruta. Isto torna-se no mínimo estranho. Então, se à partida sabemos que tanto as frutas (ricas em vitaminas e fibras), como as sopas (ricas em vitaminas, fibras e minerais) devem de fazer parte de uma alimentação saudável e equilibrada (frutas cerca de 3 vezes ao dia com casca e legumes cerca de 3-5 vezes ao dia), porque as excluímos? Isto será uma forma de dieta saudável? Ou uma forma de perder peso de uma forma doentia? Como queremos saber comer e promover uma reeducação alimentar se cortamos no que nos faz bem?

E depois de atingirem os objectivos? Vão passar o resto da vida com este tipo de alimentação? Ou vão voltar a engordar para retomar a mesma dieta?

Diariamente vejo postado nas redes sociais listas de compras, muitas delas com imagem inclusive. E penso, será possível que só comam isto? Ou que alimentação é esta? Prescrita por alguém? Não acredito! Copiada de amigos e de vizinhos? Talvez.  As listas incluem maioritariamente: salsichas enlatadas, presunto, ovos, pão integral industrializado, requeijão, gelatinas, atum, o tão na moda queijo QuarK . Cuidadosamente cheguei a responder e sugerir outro tipo de alimentos… A resposta dada  foi “A dieta não permite esse tipo de alimento” Não permite? Então quer dizer, que as dietas agora obrigam-nos a comer de uma forma errada e prejudicial para a saúde e o correcto é eliminar o que faz bem à saúde. Ainda nas redes sociais as pessoas queixam-se que começaram a fazer dieta e que estão cheias de tonturas e dores de cabeça, outras sentem náuseas e muita fraqueza e continuam a achar que estão a fazer o melhor para a saúde. Só precisam de aguentar uma ou duas semanas que depois o corpo habitua-se e passa tudo.  “ O organismo tem de entrar em cetose e assim permanecer para conseguir emagrecer”. A cetose nada mais é do que um estado onde a queima de gordura está em níveis altíssimos. Isso ocorre porque o corpo está a ser obrigado a obter energia quase que exclusivamente a partir de corpos cetónicos, e não da glicose, a fonte tradicional de combustível para o organismo.

Será que estas meninas, sedentas por perder peso de uma forma rápida (que a probabilidade de voltarem à estaca zero quando pararem a restrição é muito elevada), sabem o quão mal estão a fazer ao próprio organismo?

Uma alimentação rica em salsichas, fiambre, presunto e afins promove que os nitritos e nitratos que as constituem sejam transformados em nitrosaminas, substâncias com uma potente acção cancerígena. Responsáveis por elevados índices de cancro do estômago, cavidade oral, pulmão, esófago, pâncreas, fígado, nasofaringe e bexiga. Sem esquecer a quantidade elevada de sal que possuem.

Algumas dietas ricas em proteínas, ainda estimulam o consumo de gelatina. No entanto, quando procuramos saúde e bem-estar devemos evitar estes alimentos, pois contém conservantes, corantes e xenobióticos. Muitas pessoas acreditam que a gelatina é útil para fortalecer a pele, as unhas e os cabelos, graças ao colagénio presente na sua constituição. Porém, a versão que encontramos nos supermercados, na verdade, possui muito açúcar e pouca proteína.

Esta gelatina acaba por ser uma mistura de corantes artificiais, conservantes, açúcar, adoçantes e  proteínas em quantidades muito baixas, apenas o necessário  para gelificar. Produtos de 120 gramas chegam a ter apenas  entre 0,76 a 2 gramas de colagénio. Nutricionalmente, não se ganha nada pois para se ter algum benefício é preciso consumir entre 8 a 10 gramas de colagénio por dia. É preciso ter cuidado com o consumo da gelatina como sobremesa, especialmente no caso das crianças, por causa dos aditivos químicos.

O ideal é optar por gelatinas de origem vegetal como o agar-agar.

Não será melhor e mais inócuo para a saúde consumir diariamente, legumes, sopa, fruta ao invés das quantidades exageradas de presuntos e fiambres que se comem hoje em dia porque simplesmente saciam? E as quantidades de conservantes, químicos, nitratos e nitritos que contêm? Não seria mais saudável optar por outros alimentos que mesmo demorando mais tempo a perder peso não são nocivos para a saúde?

Tantas pessoas, aparentemente saudáveis, que sempre “fizeram tudo bem” e de repente é-lhes diagnosticada uma determinada doença. Porquê? E a alimentação? Recordam-se de como foi a alimentação ou ainda é? As dietas que foram feitas? Os alimentos prejudiciais ingeridos? A alimentação é tão ou mais importante como um medicamento pois ela previne as doenças e dá-nos saúde. Temos de ter muito cuidado com o que comemos e não nos podemos deixar enganar e muito menos deixar levar pelo que é fácil e rápido, normalmente não costuma ser o melhor.

É importante que todas as pessoas que abracem a dieta hiperproteica estejam conscientes e sejam avisadas das consequências que uma dieta rica em proteínas acarreta, pelo que os profissionais de saúde devem de informar devidamente os utentes. Devem de perceber que a médio/longo prazo podem colocar a sua saúde em risco.

Adoptar bons hábitos alimentares é difícil e pode demorar anos, mas alterá-los para pior é apenas uma questão de horas.

Lembrem-se que quando recorremos ao médico e temos de tomar algum medicamento, a primeira coisa que procuramos saber são os efeitos secundários deste mesmo medicamento. O mesmo acontece com a alimentação, neste caso uma má alimentação que no futuro pode vir a prejudicar muito a saúde.

 

Quem tem problemas renais, por exemplo, precisa de cuidado com o excesso de proteínas. Como os rins eliminam os produtos do metabolismo das proteínas (como a ureia, a amónia, os resíduos nitrogenados ), o seu consumo elevado pode sobrecarregar o órgão, fazendo com que a função renal seja prejudicada progressivamente. Também pode haver sobrecarga do fígado, por ser o órgão responsável pela metabolização dos aminoácidos.

 

Se houver uma quantidade alta de proteínas na circulação, este nutriente é degradado e depois armazenado sob a forma de gordura, contribuindo para o desenvolvimento da aterosclerose e doenças cardíacas. Além disso, uma alimentação com altas concentrações de proteínas limita a ingestão de outros nutrientes essenciais, necessários para o organismo humano suprir a quantidade energética diária, pois, na maioria das vezes, a dieta deixa de ter variedade de alimentos. O consumo em excesso de proteínas provoca o aumento da excreção do cálcio e, portanto, diminui a utilização deste mineral e pode favorecer o desenvolvimento da osteoporose, como o cálcio não é utilizado passa a ser eliminado na urina, favorecendo assim a formação de cálculos renal (oxalato de cálcio). Por isso, o ideal é consultar sempre um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tipo de restrição alimentar, pois só ele saberá indicar qual é o melhor tipo de alimentação de acordo com cada pessoa.

 

O ideal é dosear a quantidade de cada grupo alimentar de acordo com cada caso. Uma dieta equilibrada e monitorizada pode até conter momentos hiperproteicos, que intensificarão a perda de peso por solicitar um maior gasto energético durante a digestão, porém devem ter a sua quantidade de hidratos de carbono ajustada, para garantir um bom funcionamento cerebral e também para que não ocorra perda de peso muscular em vez de gordura corporal. Neste caso, o resultado também é bastante positivo: já no primeiro mês de dieta é possível  ver  alterações nas medidas e não na balança, o que por si só é muito bom para que o paciente não desanime e continue.

 

Confira algumas quantidades 😉

Assim, a nível da sua dieta:

  • Siga uma alimentação equilibrada, com base em legumes frescos e crus, cereais integrais, feijões, frutas secas e sementes.
  • Eleja o peixe como a principal fonte de proteínas e, uma a duas vezes por semana, faça uma refeição sem proteínas de origem animal.
  • Opte por carnes brancas, magras e de alta qualidade.
  • Consuma alimentos ricos em vitamina A que é benéfica para o tracto urinário, como a cenoura, a abóbora, os espinafres e as folhas dos brócolos.
  • Ingira uma quantidade equilibrada de proteínas (o equivalente à palma da mão) ao almoço e ao jantar.

 

“ Que o alimento seja o teu medicamento e que o medicamento seja o teu alimento” Hipócrates-Pai da Medicina.

Pensem nisto.

Artigo publicado na Revista Saúde e Bem Estar e na Revista bemnutrir.

Cláudia WiY
Cláudia WiY

Informação Biográfica

1 Comment

Leave a Reply

Your email address will not be published.

%d bloggers like this: